O Livro publicado em Julho de 1967, reune quarenta estórias curtas e traz um aspecto peculiar: uma obstinada preocupação do escritor com o modo de apresentar suas estórias aos leitores. Tal desejo de Rosa pode ser visto, num primeiro momento, pelo modo como a configuração da duplicidade ficção/metaficção encontra-se registrada no próprio aspecto gráfico do texto, em que se diferenciam os caracteres redondos dos itálicos. Os primeiros são utilizados nos quarenta contos, ou seja, nos textos ficcionais propriamente ditos. O segundo estilo é adotado nos prefácios, epígrafes, citações.
Em Tutameia , são tecidas por Rosa insuperáveis tramas de matéria variada. Dentre a miríade de temas e assuntos tocados pelo escritor neste livro, podemos citar o amor (presente em “A vela ao diabo” e “Desenredo”) , a vida dos ciganos (o caso dos contos “Faraó e a água do rio”, “O outro ou o outro” e “Zingarêsca”) e, como não poderia deixar de narrar, o cotidiano de figuras típicas do mundo sertanejo, elemento constitutivo das narrativas “Hiato”, “Sota e barla” e “Vida ensinada”.
Além dos essenciais textos introdutórios de Paulo Rónai , grande conhecedor da obra rosiana, esta edição da Global traz ao fim um estudo do crítico literário Gilberto Mendonça Teles intitulado “O pequeno "Sertão’ de Tutameia ” , publicado originalmente na revista Navegações , v. 2, n. 2, em julho-dezembro de 2009. A Global também apresenta ao leitor o projeto de Victor Burton , que desenvolveu a capa a partir da fotografia de Araquém Alcântara, fotográfo especializado em registrar as paisagens brasileiras
João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908 em Cordisburgo, Minas Gerais, e faleceu em 19 de novembro de 1967, no Rio de Janeiro. Publicou em 1946 seu primeiro livro, Sagarana, recebido pela crítica com entusiasmo por sua capacidade narrativa e linguagem inventiva. Formado em Medicina, chegou a exercer o ofício em Minas Gerais e, posteriormente, seguiu carreira diplomática. Além de Sagarana, constituiu uma obra notável com outros livros de primeira grandeza, como: Primeiras estórias, Manuelzão e Miguilim, Tutameia ― Terceiras estórias, Estas estórias e Grande sertão: veredas, romance que o levou a ser reconhecido no exterior.
Araquém Alcântara é andarilho, viajante, pioneiro na documentação ambiental do Brasil. Ele faz poemas visuais e usa a fotografia como poderosa arma de conhecimento. Seu trabalho é um dos primeiros a criar uma memória e uma identidade visual para o país, transportando-nos para espaços desconhecidos e de raríssima beleza. Um olhar politizado e poético, marcado pelo encantamento de revelar a cultura do povo brasileiro e a exuberância de sua natureza. Araquém é um colecionador de mundos. RUBENS FERNANDES JUNIOR Crítico, professor e curador de fotografia
Paulo Rónai nasceu em Budapeste, em 1907. Fruto de um sofisticado e exigente sistema educacional e de um rico ambiente cultural, aos 23 anos doutorou-se em filologia e línguas neolatinas – gramática e literatura francesa, latina e italiana, após uma série de cursos em temporadas na Sorbonne, em Paris, onde aprimorou seus estudos. Fluente em francês, latim e italiano, tornou-se professor de idiomas em liceus e iniciou as atividades de tradutor dessas línguas antes dos 20 anos. De família judia, começa a sentir o clima de hostilidade e as restrições das leis antissemitas em seu país a partir de meados dos anos 1930, iniciando uma obstinada busca por oportunidades profissionais fora da Hungria. Aprendeu o português sozinho e chega depois no Rio de Janeiro em 1941, após longo périplo, incluindo seis meses em um campo de trabalhos forçados na Hungria. No Brasil trabalhou como professor de latim e francês em colégios, colaborou ativamente com artigos para importantes jornais e revistas, e se dedicou a uma série de traduções e publicações de livros, coleções e dicionários. Viveu toda a vida no Brasil e se tornou amigo, interlocutor e crítico de nomes como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Guimarães Rosa. Ana Cecilia Impellizieri Martins é jornalista e historiadora, doutora em literatura brasileira pela PUC-Rio, com tese sobre Paulo Rónai. Trabalhou no Jornal do Brasil e na TV Globo; foi editora executiva da Revista de História da Biblioteca Nacional e diretora de conteúdo da Casa do Saber Rio. É autora dos livros Jean Manzon: retrato da grande aventura e organizadora de As descobertas do Brasil (com Monique Sochaczewski) e História do Brasil em 100 fotografias (com Luciano Figueiredo). É autora do livro O homem que aprendeu o Brasil: a vida de Paulo Rónai (Todavia, 2020) e editora da Bazar do Tempo. Zsuzsanna Spiry é economista e tradutora. É mestre pela Universidade de São Paulo (USP) em estudos da tradução com a dissertação “Paulo Rónai, um brasileiro, made in Hungary”, em que delineia e discute a obra de Paulo Rónai desde a Hungria, concluindo com uma catalogação de toda sua produção literária. Em 2016 concluiu doutorado em estudos da tradução na USP com a tese “Escola de Tradutores, de Paulo Rónai, marco zero na história dos Estudos da Tradução no Brasil - a genética de uma trajetória”, em que demonstra o pioneirismo de Rónai no Brasil, tanto na área de estudos da tradução, como também em literatura comparada. Samuel Titan Jr. é tradutor e professor. Leciona pelo Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
Detalhes do produto
- Editora : Global Editora; Português edição (30 novembro 2021)
- Idioma : Português do Brasil
- Capa comum : 256 páginas
- ISBN-10 : 6556121746
- ISBN-13 : 978-6556121741
- Dimensões : 16 x 1 x 23 cm
Tutameia - Terceiras Estórias - João Guimarães Rosa
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